Hoje pela manhã, durante o horário do almoço, tive a oportunidade de ouvir uma entrevista no jornal da Rádio Jaraguá do presidente da SCAR (Sociedade Cultura Artística), Udo Wágner. Entrevista essa disponível no link: http://radiojaraguaam.com.br/noticias/view?id=20605
Na entrevista o referido, em estado de êxtase, comentou sobre o FEMUSC (Festival de Música de Santa Catarina).
Na sua declaração consta que o Festival emprega 450 empregos diretos e indiretos em duas semanas de Festival, e não é nem um número aproximado, falou com convicção, somado a lotação de todos os restaurantes e hotéis.
Bom, antes de analisarmos friamente os números temos que lembrar o seguinte: cada participante do FEMUSC paga 350 reais para participar. Nesse valor estão inclusos alojamento, três refeições diárias (café da manhã, almoço e janta), e transporte da SCAR para o alojamento e locais de aulas, ensaios e apresentações. Dúvidas é só conferir o link do site oficial: http://www.femusc.com.br/11/inscricao-femusc
Como participante das duas primeiras edições do Festival (2006 e 2007) e como profissional da área de música (bacharel em percussão pela Universidade Federal de Santa Maria – RS), lembro-me perfeitamente dos participantes enfatizarem o Festival pelo custo benefício (na época da primeira edição em 2006 o valor da inscrição era 80 reais) e por ser novidade no cenário musical brasileiro.
Outro fato que vem ao caso é a limitação financeira de quase todos os participantes (alunos) que aproveitavam ao máximo as refeições, transporte e alojamento, ou seja, tudo que estava incluso na inscrição, logicamente não gerando nenhuma arrecadação por parte do comércio (lojas, restaurantes e hotéis).
Só pra citar como exemplo, numa das festas (baladas) realizadas durante o FEMUSC na antiga choperia que havia ao lado do Shopping Breithaupt, vários participantes de outras cidades e estados se negaram a pagar a taxa de consumação mínima do local, que era cinco ou seis reais, não lembro com precisão, proporcionando pra nós uma ideia do potencial econômico do festival pra cidade de Jaraguá do Sul.
Num momento da entrevista o ex-candidato a suplente de senador diz que todos os hotéis da cidade estão lotados! Fiquei intrigado, de uma hora pra outra todos os participantes do festival negaram o alojamento e resolveram se hospedar em hotéis próximos da SCAR? Será que já estão reconhecendo a música como profissão em todo o Brasil e no mundo?
Bom, resolvi tirar a história a limpo e liguei para os hotéis próximos a SCAR, simulei que doze pessoas viriam passar o final de semana em Jaraguá (28 e 29 de janeiro), para apreciar o FEMUSC, e pra espanto anotei os seguintes números:
Hotel Itajara: seis quartos duplos disponíveis ao valor de 142 reais cada;
Hotel Etalan: 12 quartos “single” disponíveis ao valor de 118 reais cada;
Hotel Kayrós: 12 quartos “single” disponíveis ao valor de 125 reais cada;
Flat Saint Sebastian: 13 quartos “single” disponíveis ao valor de 190 reais cada;
Hotel Mercuri: 12 quartos “single” disponíveis ao valor de 117 reais cada.
Mas não estavam todos os hotéis lotados? Se os hotéis próximos ao local do Festival estão sobrando imagina os mais distantes…
Da lista de professores apresentada no site aparecem 52 nomes, na dúvida confiram: http://www.femusc.com.br/11/wp-content/uploads/2010/11/profesores12.pdf sendo que pelo menos um mora em Jaraguá, vamos supor que cada professor ou professora trouxesse um acompanhante, daria pouco mais de 100 pessoas, acho que essa não é a capacidade máxima da rede hoteleira de Jaraguá do Sul, ou é?
Quanto aos 450 empregos… 52 são dos professores, e os outros 398? Talvez um ou outro restaurante pegue um garçom temporário, mas no geral são bicos. O festival de duas semanas não pode se chamar de bico de emprego.
E a terceirização de serviços? O pessoal que fornece a comida pro Festival é terceirizado, e a participação de funcionários da prefeitura, estão lá em horário de serviço ou fazendo bico?
Vale lembrar que este ano são 600 alunos, o que perfaz 1,33 funcionários por aluno. Cada aluno pagou 350 reais, o que dá um montante de R$ 2.100.000,00 (dois milhões e cem mil reais). Ouvi uma entrevista de um dos secretários do Instituto FEMUSC que eram necessário mais 200 mil reais para o festival fechar sem lucro e sem prejuízo.
Foi feito algum estudo? Tem alguma prestação de contas do Festival? Sabe-se que o governo estadual apóia o festival, a prefeitura também e há projetos pela Lei Rouanet, então quanto que esse festival arrecada por ano?
E pra encerrar essa entrevista do “seu Udo”: quais os números usou como parâmetro para chegar a movimentação de 6 milhões de reais na cidade de Jaraguá do Sul na época do FEMUSC?
Eder Rodrigo Witkowsky
OMB 16.047









ocorreram até mortes por conta das chuvas. Os “remendos” promovidos não solucionaram o problema. A prova se verifica em cada nova chuva: ruas dantes nunca atingidas viraram um mar de água.









